
O Monstro
Espetáculo do Coro Novo e Projeto Palavra Viva que entrelaça música, performance e cenas literárias de Clarice Lispector, Antônio Cícero e Fernando Pessoa.
Classificação indicativa: 14 anos - Sábado às 18H | Domingo às 19H O Monstro | modos de usar: plantio, colheita e poda. O Coro Novo e o Projeto Palavra Viva comemoram juntos, nos próximos dias 10 e 11 de outubro, o início das celebrações de mais um ano de existência, persistência e permanência ativa e dialógica no cenário artístico-cultural da cidade de Belo Horizonte.
São 10 anos de travessia do Coro Novo e 30 anos do Projeto Palavra Viva. Quanta caminhada, quantos encontros, quantas realizações...
Intercaladas pelos descaminhos, desencontros e frustrações que também fazem parte do ato de se construir e continuar, em nada capaz de minimizar o desejo de comemorar, já que, afinal, muitas vezes, como diz o poeta: "quem nunca se perde, nunca se acha".
E o grande desafio é, e será sempre, permanecer de pé e seguir. Onde? Neste labirinto de labirintos, repleto de monstros e monstruosidades, com seus inúmeros e multifacetados abismos, com suas inúmeras e multifacetadas luminosidades.
E é justamente neste momento de festa e fogo que reencontramos com ele: O MONSTRO.
Espetáculo criado da intercessão dos dois coletivos e que fez sua pré-estreia em junho, no Espaço 104, e retorna, em estreia, no Teatro da Biblioteca Pública da Praça da Liberdade (o eixo do mundo).
Integrando música, performance e cenas literárias, a montagem tenta olhar fundo nos olhos de nossas mais temidas insuficiências, individuais e coletivas, para resgatar os vestígios mais consistentes e resilientes de nossa humanidade e civilização.
Como sabemos, não basta ser humano para ser humano, e é preciso enorme cuidado e critério para separar o monstro que nos habita e é parte de nossa identidade das eventuais monstruosidades que somos todos passíveis de protagonizar.
Não há estrangeiros entre nós, nem alienígenas ou metamorfos.
Existe Clarice Lispector, que nos lembra de forma firme e humilde: "eu me achava de amor inocente, apenas por não ter cometido os meus crimes".
Existe Antônio Cícero, a nos repetir até a exaustão: "não ocultei o monstro, ao contrário, plantei-o no palácio..."
Existe Fernando Pessoa e sua voz magistral a narrar: "o homem tremeu e disse: aqui no leme sou mais que eu... e mais que o monstrengo que minha alma teme, e gira nas trevas do fim do mundo... manda a vontade que me ata ao leme".
E, sim, existe o labirinto, a vida possível, feita de muitas vidas e muitas mortes.
E dentro de todas elas, a arte, esta faca cravada, esta ferida exposta, em forma de convite e provocação: venha nos assistir, venha celebrar. Rir, morrer e cantar. Cantar, sempre.
Aviso: esta apresentação contém temas sensíveis.
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