
Despalhaço
Com mais de quatro décadas dedicadas ao teatro e à palhaçaria, Raul Barretto parte da própria trajetória para refletir sobre o tempo, o envelhecimento e a permanência do artista em cena. Primeiro texto de sua autoria, Despalhaço também marca seu primeiro solo adulto. Barretto assina ainda a direção da montagem, que reúne teatro, circo, improvisação, malabares e recursos audiovisuais. O espetáculo reestreia no dia 3 de novembro , no Espaço Parlapatões, onde permanece até 25 de novembro , com apresentações às terças e quartas, às 20h. Próximo dos 70 anos e com 44 anos de carreira, Barretto revisita experiências pessoais e transformações coletivas enquanto discute o lugar da arte na sociedade contemporânea. O solo faz parte da comemoração de 35 anos do Grupo Parlapatões, do qual faz parte ao lado de Hugo Possolo, e chega 15 anos depois de seu primeiro solo infantil, O Bricabraque. Com uma trajetória também ligada à criação de espaços de formação e difusão teatral em São Paulo, Barretto é sócio co-fundador do Espaço Parlapatões, que completa 20 anos, e um dos idealizadores da SP Escola de Teatro, onde coordena a Linha de Estudo em Humor há 16 anos. Em Despalhaço , Barretto parte dessas experiências para examinar o caminho percorrido e as mudanças que testemunhou dentro e fora dos palcos. A contagem do tempo torna-se um dos eixos da dramaturgia, que coloca em cena questões relacionadas à longevidade, à memória e às perspectivas de futuro em uma sociedade marcada pela aceleração e pela fragmentação. A dramaturgia se organiza em três planos temporais. O passado recupera momentos da carreira do ator e de sua relação com o teatro e a palhaçaria. O presente aborda temas como desenvolvimento, sustentabilidade, inteligência artificial e a função social do artista. O futuro aparece como um campo de dúvida e possibilidade, a partir do qual o espetáculo investiga outros modos de relação entre os seres humanos e o planeta. "O mais urgente é reafirmar a importância de vivermos em comunidade e em harmonia, conseguindo divergir sem transformar o outro em inimigo. O palhaço mostra o ridículo que vivemos e pode nos levar a alguma consciência", afirma Barretto. Em cena, o ator combina texto e improvisação com técnicas circenses como malabares, monociclo, chicote e facas. O cenário criado por Diego Dac tem como elemento central um tecido que assume diferentes funções e significados ao longo da apresentação. Projeções acompanham toda a encenação e integram imagens, vídeos e depoimentos à passagem do artista pelo tempo. A pesquisa reúne referências de diferentes áreas do conhecimento. Entre elas estão o filósofo Diógenes, os cientistas Marcelo Gleiser e Carl Sagan e estudos sobre a formação das sociedades humanas, os povos indígenas, a consciência e a inteligência. A criação também dialoga com o trabalho do artista Jaider Esbell, da arqueóloga Niède Guidon e dos pesquisadores Eduardo Neves e Miguel Nicolelis. O título Despalhaço sintetiza as transformações do artista ao…








