
Equina
Espetáculo de dança que especula alianças interespécies com cavalos e éguas, inspirado em Donna Haraway e nas ecologias relacionais de Aline Bernardi.
O selo artístico Celeiro Moebius apresenta o espetáculo de dança Equina, que parte dos gestos de observar, de sintonizar, de cuidar e de cultivar conexões com humanos e não-humanos, em busca de especular possíveis modos de reparação micropolítica diante da crise sócio-ambiental generalizada da atualidade.
A obra dialoga com a pesquisa de doutorado de Aline Bernardi, que performa suas memórias de amizade e parentesco praticada com cavalos e éguas, investigando as noções de convivência e as fabulações de simpoiese (ficar-com / viver-com). Como estabelecer outras formas de estar-com cavalos e éguas? Que alianças podem ser cultivadas entre diferentes espécies? O que podemos aprender com elas?
Com supervisão artística da coreógrafa Dani Lima, o espetáculo aposta em uma dramaturgia fabulatória para dar visibilidade ao papel das ecologias relacionais no fazimento de mundificação conjunta, reconhecendo as relações de interdependência entre corpos vivos.
Idealizado e protagonizado por mulheres, este espetáculo propõe um ponto de vista sobre as alianças interespécies que enfatiza a manutenção e a continuidade da vida através de políticas de cuidado praticadas em mútua cooperação entre as espécies.
A pesquisadora feminista Donna Haraway aborda a importância de "fazer parentes, não bebês", estimulando parentescos e relações de amor entre diferentes espécies, favorecendo a ressignificação das lógicas de relação, das poéticas e dos imaginários sobre a condição de vivente.
Acreditamos ser necessário autorizar as corporeidades ao reconhecimento de sua constituição multiespécie da condição de vivente, confiando no que sente, no valor de sua sensibilidade, na força de sua vulnerabilidade, na disponibilidade de se afetar e na potência da difração de ideias e experiências. A difração é um fenômeno óptico que muda a direção e desloca o meio de propagação de um raio de luz quando este bate numa superfície.
Haraway toma esse fenômeno para propor o conceito de difração, ao invés da tão ecoada reflexão, como uma metáfora da possibilidade de mudança nos modos do pensamento crítico e de abertura para a diferença e para as heterogeneidades. É uma tecnologia feminista que escapa da disputa teórica masculinista.
Acreditamos que difratar as relações estabelecidas no antropoceno é uma alternativa aos tempos atuais, onde perspectivas extremistas, de intolerância e ódio ecoam como um coro sombrio em um planeta repleto de potências e belezas.
Classificação: 18 anos Duração: 60 minutos
Ficha Técnica:
Criação e Dramaturgia - Aline Bernardi e Dani Lima Supervisão Artística - Dani Lima Performance - Aline Bernardi











