
Summer of Hate
Summer of Hate são uma banda moldada pela oposição. Luz e sombra, peso e leveza, devoção e inquietação coexistem no centro da sua música. Formado no norte de Portugal, o coletivo de seis elementos nasceu a partir das bases do shoegaze, mas rapidamente rejeitou a sua tendência para a inércia, escolhendo antes tratar o som como algo físico, volátil e vivo.
Desde os primeiros passos, os Summer of Hate têm procurado intensidade através do contraste. A melodia nunca é passiva. A distorção nunca é meramente decorativa. A sua música move-se em ciclos de tensão e libertação, oscilando entre intimidade e confronto, sempre à procura de um espaço emocional partilhado onde beleza e abrasão possam coexistir.
Esta filosofia atinge a sua expressão máxima em Blood & Honey, um disco que marca uma transformação decisiva na trajetória da banda.
Blood & Honey não é um álbum conceptual no sentido narrativo, mas é profundamente conceptual no espírito. Apresenta duas forças inseparáveis como duas faces do mesmo universo interior. Uma movida pela fricção, pelo ritmo e pela energia coletiva. A outra guiada pela melodia, pela vulnerabilidade e pela clareza emocional. Juntas, formam uma única declaração sobre coexistência, em vez de resolução.
O lado Blood capta os Summer of Hate na sua forma mais expansiva e física. A densidade do shoegaze é impulsionada pela urgência do punk e pela força do noise rock, sustentada por ritmos concebidos para mover corpos em vez de os dissolver. Inspirando-se em linguagens musicais não ocidentais, incluindo música sufi, ritmos dabke, raga, drone e escalas frígias e indianas, a banda transforma a psicadelia em algo ritualista e enraizado. Esta é música feita para a imersão e o confronto, para a repetição que se transforma em transe e para o volume que se transforma em comunhão.
**Não há lugares sentados, nem marcados, nos concertos da Casa Capitão. Para garantir uma boa posição face ao palco, convém chegar cedo. E pronto para passar uma ou duas horas em pé.**














