
Márcia
Concerto íntimo de Márcia, voz nostálgica da canção ligeira portuguesa
Artesã de canções
Talvez poucos se lembrem. Talvez muitos não saibam. As primeiras vezes que ouvimos a voz de Márcia, em disco ou em concerto, foi a bordo de um grupo de dança à moda antiga. Era dela a voz de candura nostálgica que se ouvia nos temas da canção ligeira e romântica com que o Real Combo Lisbonense encenava um regresso a uma época em que a música portuguesa revelava tiques tímidos de twist, yé-yé e rock’n’roll. Canções que, à época da sua criação original, eram banda sonora para dançar e ser adolescente num país que tentava enganar (por umas horas) os muros altos que se erguiam à sua volta. Em 2008, quando João Paulo Feliciano montou o Real Combo Lisbonense, era só a nostalgia dessa música, como que libertando-se de um tempo que já não existe, que se ouvia Márcia interpretar em “Sensatez” ou “O Fado É Bom para Xuxú”.
É mais ou menos aqui que começa a parte mais visível desta história. Márcia já tinha passado pela típica primeira experiência juvenil nos palcos da música com a banda Ana’s Blame. Foi com esse projecto que participou na colectânea Bandas de Garagem, em 2001; foi na sequência dessa gravação que apareceram os primeiros convites para se juntar ao catálogo de multinacionais que não demoraram a identificar um talento em bruto.
Não há lugares sentados, nem marcados, nos concertos da Casa Capitão. Para garantir uma boa posição face ao palco, convém chegar cedo. E pronto para passar uma ou duas horas em pé.














